
O doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em Geriatria, com ampla expertise na área, fundou um projeto que coloca o respeito pela cultura local como princípio fundamental de sua atuação nas comunidades do sertão cearense: o Humaniza Sertão. Nesse sentido, a saúde é vivida e compreendida dentro de contextos culturais que moldam profundamente a relação das pessoas com o próprio corpo e com o cuidado médico. Ao longo deste artigo, você vai entender por que a cultura importa no cuidado ao idoso e como essa sensibilidade transforma os resultados do cuidado. Acompanhe e inspire-se!
Por que a cultura local importa no cuidado ao idoso?
O idoso é quem carrega de forma mais intensa os valores, crenças e práticas culturais de sua comunidade. Isto é, sua relação com a saúde é profundamente moldada por décadas de experiências e tradições coletivas que precisam ser compreendidas pelo profissional de saúde. Contudo, desconsiderar essa dimensão cria barreiras invisíveis que comprometem o vínculo terapêutico.
Segundo o doutor Yuri Silva Portela, no sertão nordestino essa dimensão cultural é especialmente rica. Já que existem elementos que qualquer profissional que queira atender bem nessa região precisa valorizar: a espiritualidade, o uso de plantas medicinais e as formas locais de nomear sintomas, por exemplo. Dessa forma, chegar com respeito e curiosidade genuína é o primeiro passo para construir confiança.
O respeito pela cultura local não significa abrir mão do rigor científico. No entanto, significa integrar o conhecimento técnico à realidade cultural de cada comunidade de forma empática. Uma vez que um profissional que dialoga com os saberes locais sem julgamento constrói pontes que tornam o cuidado muito mais eficaz e sustentável.
Como o Humaniza Sertão aplica o respeito cultural na prática?
O Humaniza Sertão desenvolve suas ações com plena consciência da diversidade cultural das comunidades atendidas. Haja vista que a linguagem utilizada nas orientações de saúde é adaptada ao contexto local, evitando termos técnicos e priorizando exemplos que façam sentido para a realidade de cada pessoa. Essa adaptação comunicacional, portanto, é em si mesma uma forma de humanização.

Yuri Silva Portela
O doutor Yuri Silva Portela elucida que o projeto aprende com cada comunidade tanto quanto ensina. Visto que os voluntários chegam dispostos a ouvir sobre práticas locais de cuidado e crenças que orientam a relação das pessoas com a saúde. Assim, esse diálogo sinaliza que o conhecimento local é valorizado e não simplesmente descartado em nome da medicina convencional.
A presença de profissionais de diferentes áreas também contribui para um atendimento culturalmente sensível. Como nutricionistas que adaptam orientações à culinária local e psicólogos que compreendem as especificidades emocionais das comunidades sertanejas.
Por que a confiança cultural é o maior ativo de um projeto social em saúde?
A confiança é o recurso mais valioso que um projeto comunitário pode construir, e ela só se forma quando as comunidades percebem que estão sendo tratadas com respeito genuíno. Uma vez que projetos que chegam impondo soluções dificilmente mantêm engajamento além das primeiras visitas. O contrário também é verdadeiro: projetos que demonstram respeito constroem vínculos que se fortalecem com o tempo.
Conforme esclarece o doutor Yuri Silva Portela, o projeto colhe hoje os frutos de três anos de presença respeitosa e consistente. As comunidades atendidas regularmente recebem a equipe com abertura crescente e engajam com as orientações com muita disposição. Por isso, essa evolução é a prova concreta de que o respeito cultural é um investimento com retorno real à saúde.
Saúde que respeita a cultura chega mais longe
O cuidado ao idoso que respeita a cultura local é bem recebido e produz resultados duradouros. Ele constrói pontes, nas quais a medicina convencional encontra muros e transforma o atendimento em um encontro genuíno entre saberes que se complementam.
O trabalho do doutor Yuri Silva Portela e do Humaniza Sertão é um exemplo concreto de como essa abordagem transforma comunidades. Valorize profissionais que cuidam com respeito pela identidade de quem atendem. Esse cuidado sensível é o que faz a diferença real.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez








