
Um dos aspectos mais relevantes da agenda climática para os municípios brasileiros passa despercebido por boa parte dos gestores, e Marcello José Abbud, empresário e especialista em soluções ambientais, dedica atenção crescente a esse tema: o potencial de geração de créditos de carbono a partir do tratamento adequado de resíduos sólidos urbanos. A decomposição descontrolada de matéria orgânica em lixões e aterros libera metano, gás com potencial de aquecimento global dezenas de vezes superior ao do dióxido de carbono.
Evitar ou capturar essas emissões gera reduções mensuráveis que podem ser certificadas e negociadas nos mercados de carbono. A aprovação do marco regulatório brasileiro do mercado de carbono, com a criação do sistema nacional de comércio de emissões, amplia as perspectivas para projetos do setor de resíduos.
Como o setor de resíduos gera créditos de carbono na prática?
Os projetos elegíveis no setor seguem metodologias reconhecidas internacionalmente. A captura e queima ou aproveitamento do biogás de aterros sanitários é a rota mais consolidada: o metano captado deixa de ir para a atmosfera e cada tonelada de emissão evitada se converte em crédito certificável. Rotas complementares incluem a compostagem, que impede a formação do metano ao tratar a matéria orgânica em ambiente aeróbio, e as tecnologias de tratamento térmico que desviam resíduos do aterramento.
Como observa Marcello José Abbud, a certificação exige monitoramento rigoroso, auditoria independente e documentação consistente, etapas que demandam estruturação profissional do projeto desde sua concepção. O crédito de carbono não é receita automática, mas resultado de um processo técnico que precisa ser planejado junto com a própria solução de tratamento.
O que muda com o mercado regulado brasileiro de carbono?
A criação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões estabelece obrigações de compensação para grandes emissores nacionais, o que tende a gerar demanda doméstica consistente por créditos de qualidade. Projetos do setor de resíduos, por entregarem reduções verificáveis e benefícios sociais associados, ocupam posição competitiva nesse mercado em formação.

Marcello José Abbud
Em paralelo, o mercado voluntário internacional segue absorvendo créditos brasileiros, com compradores corporativos buscando ativos vinculados a impacto socioambiental concreto. Na concepção de Marcello José Abbud, os municípios e operadores que estruturarem seus projetos desde já estarão posicionados para capturar valor nas duas frentes, a regulada e a voluntária, diversificando as fontes de receita de suas operações de tratamento.
Receita de carbono como reforço da viabilidade dos projetos de tratamento
O principal obstáculo à modernização da gestão de resíduos no Brasil sempre foi econômico: as soluções tecnológicas adequadas custam mais do que o simples aterramento. A receita proveniente dos créditos de carbono altera essa equação ao adicionar um fluxo financeiro que remunera justamente o desempenho ambiental da operação. Quanto mais emissões o projeto evita, maior o retorno complementar.
Em termos práticos, a monetização do carbono pode reduzir o valor da contraprestação pública necessária em concessões e parcerias, aliviando os orçamentos municipais. Conforme sustenta Marcello José Abbud, modelagens financeiras que incorporam a receita de carbono desde o início conseguem viabilizar projetos que, sem esse componente, não fechariam a conta.
Cuidados na estruturação para garantir integridade e valor dos créditos
O mercado de carbono passou por escrutínio intenso nos últimos anos, com questionamentos sobre a integridade de determinadas categorias de créditos. Projetos do setor de resíduos saem na frente nesse debate por entregarem reduções diretamente mensuráveis, mas a credibilidade depende de metodologia adequada, linha de base honesta e monitoramento contínuo.
Diante desse panorama, Marcello José Abbud frisa a importância de trabalhar com certificadoras reconhecidas e de manter transparência integral sobre os dados do projeto. Créditos de alta integridade alcançam preços superiores e protegem a reputação de todos os envolvidos, dos operadores aos municípios que sediam as instalações.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez








