
Fórum na UFGD coloca inteligência artificial, qualificação profissional e novas carreiras no centro das discussões sobre o futuro do trabalho.
A inteligência artificial deixou de ser apenas um assunto ligado às grandes empresas de tecnologia e passou a fazer parte de discussões que interessam diretamente ao mercado de trabalho de Dourados. Na cidade, a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) anunciou nesta semana um fórum dedicado justamente às transformações provocadas pela IA, inovação e digitalização nas empresas e nas profissões. O I Fórum de Gestão de Pessoas (I FOGEPE) será realizado nos dias 8 e 9 de setembro e terá participação gratuita.
Para quem mora em Dourados, a notícia vai além de um evento universitário. A discussão envolve uma dúvida cada vez mais comum entre trabalhadores, estudantes e empresários: quais profissões podem mudar com a inteligência artificial e quais habilidades serão mais valorizadas nos próximos anos? A programação da UFGD inclui temas como automação, People Analytics, desenvolvimento de carreiras e qualificação profissional, mostrando que a questão central não é apenas se a tecnologia substituirá pessoas, mas como trabalhadores e empresas poderão se adaptar.
Por que a inteligência artificial virou assunto para o mercado de trabalho de Dourados?
O I FOGEPE foi anunciado pela Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Economia da UFGD justamente em um momento de aceleração do uso de ferramentas digitais pelas organizações. Segundo a universidade, o encontro pretende aproximar empresários, gestores, profissionais de recursos humanos, pesquisadores, estudantes e representantes de instituições públicas e privadas para discutir como a transformação digital está modificando atividades, profissões e relações de trabalho. A programação terá como eixo “Transformação Organizacional, Inclusão, Inovação e Novas Fronteiras do Trabalho”.
Esse debate tem importância especial para Dourados porque a cidade concentra atividades de comércio, serviços, educação e agronegócio, setores que podem incorporar diferentes níveis de automação e ferramentas de inteligência artificial. Em vez de pensar somente em empregos que poderiam desaparecer, trabalhadores podem observar quais tarefas estão sendo automatizadas e quais novas competências passam a ser exigidas. A própria UFGD destaca que o fórum pretende discutir adequação das exigências profissionais, qualificação dos funcionários, formação de equipes e desenvolvimento de novas competências.
Outro ponto importante é que a transformação tecnológica não acontece apenas dentro de grandes companhias. Pequenos negócios também podem utilizar sistemas de atendimento automatizado, análise de dados, criação de conteúdo e ferramentas para organizar processos administrativos. Em uma cidade com população estimada em 264.017 habitantes pelo IBGE em 2025, mudanças na forma de trabalhar podem alcançar uma parcela significativa da economia local.
Para estudantes de Dourados, a discussão também serve como sinal de que a formação profissional precisará acompanhar mudanças rápidas. O trabalhador que dominar sua área de atuação e, ao mesmo tempo, souber utilizar ferramentas digitais tende a encontrar novas possibilidades, enquanto empresas precisarão avaliar como capacitar suas equipes. A universidade, nesse cenário, funciona como espaço para aproximar conhecimento acadêmico das necessidades de empregadores e trabalhadores da região.
O que muda para quem trabalha ou procura emprego em Dourados?
Uma das principais dúvidas sobre inteligência artificial é se ela vai substituir trabalhadores. A proposta do fórum da UFGD indica uma abordagem mais ampla: entender como a tecnologia pode alterar tarefas, competências e formas de organização. A programação inclui discussões sobre inovação, inclusão, liderança, desenvolvimento de carreiras e automação humanizada, além de ferramentas como IA e People Analytics aplicadas à gestão de pessoas.
Na prática, isso significa que algumas funções podem ter tarefas repetitivas reduzidas enquanto outras atividades passam a exigir mais análise, criatividade, comunicação e capacidade de tomada de decisão. Um profissional de atendimento, por exemplo, pode lidar com sistemas automatizados para tarefas simples e concentrar mais tempo em situações que exigem interação humana. O mesmo raciocínio pode aparecer em áreas administrativas, comércio, serviços, educação e empresas ligadas ao agronegócio, segmentos relevantes para a economia de Dourados.
A preparação, portanto, não depende apenas de aprender a utilizar uma ferramenta específica de inteligência artificial. O desafio é desenvolver capacidade de aprender continuamente, conferir informações produzidas por sistemas automatizados e entender os limites dessas tecnologias. A própria programação do I FOGEPE coloca a qualificação profissional e o desenvolvimento de novas competências entre os assuntos centrais, reforçando a importância da adaptação.
Para quem está procurando emprego na cidade, isso também pode influenciar a escolha de cursos e qualificações. Conhecimentos digitais, análise de informações, comunicação e domínio de ferramentas tecnológicas podem complementar uma formação tradicional e aumentar a capacidade de acompanhar mudanças nas empresas. A discussão interessa ainda aos empregadores, que precisam identificar quais atividades podem ser automatizadas sem deixar de lado aspectos como segurança, inclusão e valorização das equipes.
IA também exige cuidado com informação, eleições e vida digital
O avanço da inteligência artificial em Mato Grosso do Sul não está restrito ao mercado de trabalho. Nos últimos dias, a OAB/MS promoveu um seminário sobre os desafios e as novas tecnologias nas Eleições 2026, com debates sobre inteligência artificial, desinformação, deepfakes, proteção de dados e limites da propaganda eleitoral. O evento contou com participação de representantes ligados ao TRE-MS e colocou a tecnologia também no centro das discussões sobre cidadania e informação.
Para o morador de Dourados, esse tema ganha relevância especialmente durante o período eleitoral. Conteúdos produzidos ou modificados por inteligência artificial podem tornar mais difícil identificar o que é verdadeiro, principalmente quando imagens, áudios ou vídeos parecem autênticos. Por isso, antes de compartilhar uma informação recebida em redes sociais ou aplicativos de mensagens, é importante verificar a origem, procurar confirmação em fontes confiáveis e desconfiar de conteúdos que tentem provocar uma reação imediata.
A preocupação com tecnologia também aparece dentro da própria UFGD. Em novembro, a universidade realizará o XX Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, cujo tema será justamente “Universidade pública e inteligência artificial: desafios, possibilidades e perspectivas”. O período para submissão de trabalhos segue até 31 de agosto, mostrando que o debate sobre IA já alcança ensino, pesquisa e extensão na instituição que possui forte presença acadêmica em Dourados.
Esse conjunto de iniciativas mostra que a inteligência artificial está sendo tratada como uma transformação que atravessa diferentes áreas da vida regional. Para Dourados, isso significa discutir não apenas tecnologia, mas também emprego, educação, empresas, comunicação e participação cidadã. A questão mais importante para o morador deixa de ser se a IA chegará à cidade e passa a ser como trabalhadores, estudantes, empresários e instituições poderão se preparar para utilizá-la de maneira responsável.
O calendário da UFGD oferece uma oportunidade concreta para acompanhar esse debate. O I FOGEPE acontece em 8 e 9 de setembro, com inscrições gratuitas, e terá atividades sobre inovação e tecnologia, novas fronteiras do trabalho e desenvolvimento de carreiras. Para quem vive em Dourados, acompanhar essas discussões pode ajudar a entender quais mudanças já estão chegando às empresas e quais competências podem ganhar importância no mercado local. A tecnologia não elimina a necessidade de formação; ao contrário, torna a atualização profissional ainda mais importante.
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