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Chuvas de junho em Dourados batem recorde histórico e deixam moradores em alerta

Cidade registrou 54,8 mm em apenas 24 horas no último fim de semana, o maior acumulado entre as cidades brasileiras no período.

O inverno chegou com força incomum para Dourados e para todo o Mato Grosso do Sul. O mês de junho de 2026 já é o mais chuvoso da última década no estado, segundo dados do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de MS (Cemtec), e Dourados ficou entre as cidades que mais acumularam precipitação no país num único sábado. A cidade registrou 54,8 milímetros em 24 horas, ocupando a segunda posição entre os municípios brasileiros com maior volume de chuva naquele dia. O número surpreende porque junho é, historicamente, um dos meses mais secos do ano no Mato Grosso do Sul, período que antecede o inverno com dias ensolarados e temperaturas amenas. Correio do Estado

A dúvida que paira entre moradores e especialistas é direta: o que explica tanta chuva num mês em que as precipitações costumam ser raras, e o que isso significa para as próximas semanas? Para quem vive em Dourados, a resposta tem impacto prático imediato: ruas alagadas, risco de deslizamentos em encostas, e a preocupação com lavouras na fase de entressafra. Compreender o fenômeno ajuda a tomar decisões mais seguras no dia a dia.

Por que junho está tão chuvoso em 2026?

O comportamento climático registrado neste junho foge completamente do padrão esperado para o período. Segundo o meteorologista Natálio Abrão, do Cemtec, a média estimada de chuva para o mês inteiro em Campo Grande era de 37,7 milímetros. Nas primeiras duas semanas de junho, a capital já havia acumulado 118,4 milímetros, o triplo do esperado para o período completo. Em Dourados, o cenário foi semelhante, com volumes que ultrapassaram qualquer projeção sazonal. Correio do Estado

Parte desse desvio pode ser atribuída ao fenômeno das chuvas irregulares que marcam o corrente ano hidrológico em todo o Centro-Oeste e Sul do Brasil. Frentes frias que chegam do sul do continente têm encontrado ar quente e úmido proveniente da Amazônia, criando condições propícias para tempestades intensas mesmo fora do período tipicamente chuvoso. Segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), junho historicamente tem viés de mês seco, especialmente no interior do Mato Grosso do Sul, o que torna o volume acumulado ainda mais fora do comum.

Para os agricultores da região de Dourados, que cultivam soja, milho e cana no entorno do município, o excesso de chuva no período de entressafra representa um risco de compactação do solo e dificuldade para a realização de trabalhos de manutenção e preparo das lavouras que serão plantadas nos próximos meses.

O que esperar para as próximas semanas?

Apesar do cenário chuvoso das últimas semanas, as previsões do Cemtec indicam uma tendência de estabilização gradual das precipitações na segunda quinzena de junho. As temperaturas devem variar entre 16°C e 22°C na região, com leve alta prevista a partir de meados da semana, sem retorno ao calor intenso característico do verão. Para Dourados, isso significa dias nublados com possibilidade de garoa esporádica, sem novos episódios de chuva torrencial no curto prazo. Correio do Estado

Mesmo assim, a Defesa Civil municipal orienta que moradores mantenham atenção aos canais de monitoramento oficiais. Regiões com histórico de alagamento, como bairros próximos ao Córrego Água Boa, devem ser observadas com mais cuidado. Em anos anteriores, chuvas intensas localizadas provocaram transtornos significativos no tráfego urbano e danificaram estruturas de drenagem que ainda aguardam manutenção. O Cemtec disponibiliza alertas em tempo real pelo site oficial e por canais de comunicação nas redes sociais.

Como a cidade pode se preparar para eventos climáticos extremos?

A recorrência de chuvas fora de época em Dourados levanta uma questão mais estrutural: a cidade está preparada para lidar com eventos climáticos extremos de forma contínua? A pergunta é pertinente porque o padrão de precipitações irregulares não é uma anomalia passageira, mas parte de uma tendência observada em toda a região Centro-Oeste nos últimos anos, segundo estudos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Entre as medidas que especialistas em gestão de risco apontam como prioritárias estão a ampliação e limpeza da rede de drenagem urbana, o mapeamento de áreas de risco de inundação e o fortalecimento dos sistemas de alerta precoce para a população. Dourados, com mais de 264 mil habitantes segundo o Censo IBGE 2022, é a segunda maior cidade do Mato Grosso do Sul e precisa de infraestrutura compatível com esse porte para responder com eficiência às emergências climáticas.

Moradores podem acompanhar os alertas meteorológicos pelo site do Cemtec (cemtec.ms.gov.br) e pelo portal da Defesa Civil Municipal. Em caso de risco iminente, o número de emergência é o 199.

O volume de chuvas registrado em Dourados neste junho serve de alerta para que gestores públicos e cidadãos reforcem a cultura de prevenção. Fenômenos climáticos extremos deixaram de ser exceção no Cerrado e passam a exigir planejamento permanente. Para quem vive na cidade, estar informado sobre as condições do tempo e conhecer as rotas seguras em situações de enchente pode fazer diferença real. O clima mudou. A forma de lidar com ele precisa mudar também.

Fontes: Correio do Estado (correiodoestado.com.br) | Cemtec-MS (cemtec.ms.gov.br) | Inmet (inmet.gov.br)

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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