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Quem ensina uma criança a gostar de ler? O papel da família na formação de leitores

Alfredo Moreira Filho
Alfredo Moreira Filho

Na concepção de Alfredo Moreira Filho, empresário e autor do livro “Pequenas Histórias e Algumas Percepções”, o gosto pela leitura raramente nasce por obrigação e quase sempre começa no ambiente familiar, a partir do exemplo e do convívio com os livros. Em um país onde o número de leitores vem diminuindo, essa constatação ganha peso especial.

A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, mostrou que, pela primeira vez em sua série histórica, os não leitores superaram os leitores no país. Os dados também revelam quem são as pessoas que mais influenciam o hábito de ler e em que fase da vida ele se forma. Acompanhe, a seguir, o que os números indicam e como a família pode contribuir.

O que os números mostram sobre a influência familiar?

Quando a pesquisa pergunta aos leitores quem mais influenciou seu gosto pela leitura, a família aparece com destaque. Na edição mais recente, a mãe ou responsável do sexo feminino foi apontada por 9% dos leitores como principal influência. O pai ou responsável do sexo masculino aparece com menos da metade desse índice, com 4%.

Esses números revelam um padrão cultural em que o incentivo à leitura recai principalmente sobre as mulheres da família. Especialistas defendem que essa tarefa seja compartilhada, já que diferentes vozes, gostos e repertórios tornam o contato com os livros mais rico e variado para a criança.

Em paralelo, a queda geral no número de leitores sugere que esse papel familiar ficou ainda mais importante. Conforme sustenta Alfredo Moreira, quando a escola e o ambiente digital disputam a atenção das crianças, a casa se torna o espaço onde o hábito pode ser cultivado com mais constância.

A infância é o momento decisivo

As edições recentes da pesquisa indicam que as crianças estão entre os grupos que mais leem no Brasil, e muitas delas o fazem por vontade própria. O desafio está em manter esse interesse ao longo dos anos, já que a frequência de leitura tende a cair na adolescência e na vida adulta.

Por isso, a infância é considerada a fase mais importante para a formação do leitor. É nesse período que a criança associa os livros a experiências agradáveis, como a voz de quem lê antes de dormir ou a curiosidade despertada por uma ilustração. Essas memórias afetivas acompanham a pessoa por muito tempo.

Na percepção de Alfredo Moreira Filho, investir nesse vínculo desde cedo é uma forma de preparar a criança não apenas para a escola, mas para uma relação duradoura com o conhecimento e com a reflexão sobre a própria vida.

Alfredo Moreira Filho

Alfredo Moreira Filho

O exemplo vale mais do que a cobrança

Pais que pedem aos filhos que leiam, mas nunca são vistos com um livro nas mãos, transmitem uma mensagem contraditória. A criança aprende muito mais observando os hábitos dos adultos do que ouvindo recomendações. Ver os pais lendo, comentando uma história ou escolhendo um livro na livraria mostra que a leitura faz parte da vida da família.

Ter livros acessíveis em casa também faz diferença. Não é preciso uma grande biblioteca: uma prateleira ao alcance da criança, com títulos adequados à idade, já estimula a curiosidade e a autonomia na escolha. Visitas a bibliotecas públicas ampliam esse acesso sem custo.

Ao mesmo tempo, transformar a leitura em castigo ou obrigação rígida tende a produzir o efeito contrário. Como salienta Alfredo Moreira, o hábito se consolida quando está associado ao prazer, e não à cobrança.

Pequenos gestos que formam leitores

Algumas práticas simples ajudam a construir essa relação. Ler em voz alta para as crianças pequenas, revezando entre os adultos da casa, cria momentos de convivência e amplia o vocabulário. Conversar sobre as histórias, perguntando o que a criança achou ou o que faria no lugar de um personagem, desenvolve interpretação e senso crítico.

À medida que a criança cresce, vale permitir que ela escolha o que quer ler, mesmo que sejam quadrinhos, livros de aventura ou temas que pareçam pouco sofisticados aos adultos. O importante é manter o contato frequente com a leitura. Para Alfredo Moreira Filho, famílias que compartilham histórias e conversam sobre o que leem ajudam a formar pessoas mais atentas, curiosas e capazes de compreender o mundo à sua volta.

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